Biblioteca Joanina Audioguia

A Biblioteca Joanina é uma biblioteca barroca situada no coração da Universidade de Coimbra. É famosa pela sua decoração ornamentada e pela sua importante coleção de livros históricos.

Biblioteca Joanina — Coimbra, Portugal

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📍 Coimbra, Portugal

Sobre o passeio

A Biblioteca Joanina é uma biblioteca barroca situada no coração da Universidade de Coimbra. É famosa pela sua decoração ornamentada e pela sua importante coleção de livros históricos.

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Sobre o passeio

The Baroque Portal and National Crest

Brasão Real — Biblioteca Joanina

Brasão Real

Acima da entrada principal, a intrincada escultura do brasão nacional português serve como um lembrete das origens reais da biblioteca. Todo este projeto foi uma grande afirmação de autoridade e ambição cultural do Rei D. João V. Conhecido como 'O Magnânimo', D. João V utilizou a vasta riqueza que chegava a Portugal proveniente das minas de ouro e dos campos de diamantes do Brasil colonial para financiar obras arquitetónicas espetaculares por todo o país. Esta biblioteca é um resultado direto dessa prosperidade colonial. Logo abaixo do brasão, observe a inscrição em latim gravada na pedra. Traduzida, significa: 'A Grande Universidade dedicou este assento aos livros, para que a biblioteca possa adornar a sua cabeça'. Esta frase caracteriza a biblioteca não apenas como um espaço de armazenamento, mas como uma conquista máxima para toda a universidade. Cada detalhe desta fachada, desde as armas reais até à elegante caligrafia, foi concebido para impressionar os visitantes com o prestígio da instituição e a generosidade do monarca que supervisionou a sua criação.

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Inscrição da Entrada da Biblioteca — Biblioteca Joanina

Inscrição da Entrada da Biblioteca

Ao aproximar-se das pesadas portas de madeira, repare na inscrição em latão que detalha as regras de entrada. Estes regulamentos estão em vigor há séculos, refletindo o compromisso da universidade em proteger os 70.000 volumes aqui guardados. O acesso à biblioteca não é restrito apenas para gerir o fluxo de pessoas, mas para a preservação fundamental da própria coleção. Cada pessoa que entra traz humidade e calor, enquanto a abertura das portas permite a entrada de luz solar prejudicial. Ao controlar rigorosamente o fluxo de visitantes e manter as portas fechadas, a equipa consegue manter o equilíbrio delicado necessário para evitar que o papel antigo e as encadernações se deteriorem. Esta entrada marca uma mudança significativa na atmosfera. Está a deixar o pátio luminoso, amplo e muitas vezes ruidoso para o mundo silencioso, escuro e climatizado do interior. O ar lá dentro é visivelmente mais fresco e parado, um efeito deliberado concebido para garantir que estes textos centenários permaneçam em condições imaculadas para que futuros estudiosos os possam investigar e apreciar.

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The Middle Floor and Academic Prison

Piso Intermédio — Biblioteca Joanina

Piso Intermédio

Este nível, apropriadamente chamado de Piso Intermédio, oferece um contraste visual marcante com as salas douradas acima. Com as suas simples estantes de madeira e paredes de pedra despidas de ornamentos, funciona principalmente como uma zona de transição para o sofisticado sistema de controlo climático do edifício. Ao atuar como um amortecedor entre o piso térreo e o ornamentado piso principal, ajuda a regular o ambiente interior. No entanto, este nível também serviu um propósito muito mais sombrio no passado da universidade. Este é o local da Prisão Académica. Até ao século XIX, a universidade detinha o seu próprio poder judicial, o que significava que os estudantes e funcionários estavam sujeitos a disciplina interna em vez da lei civil. Aqueles que eram apanhados a cometer infrações, tais como faltar às aulas, envolver-se em brigas ou cometer desonestidade académica, eram aqui mantidos em pequenas celas. A presença de uma prisão dentro de uma biblioteca pode parecer contraditória hoje em dia, mas destaca a autoridade absoluta que a universidade detinha sobre todos os aspetos da vida dos seus membros. É um lembrete sóbrio da disciplina rigorosa que regia as atividades académicas no século XVIII.

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As Abóbadas de Pedra — Biblioteca Joanina

As Abóbadas de Pedra

Os maciços arcos e as escadarias desta área são fundamentais para a sobrevivência da biblioteca. Funcionam como um frigorífico natural, utilizando a massa térmica da pedra e a orientação específica do edifício para manter a temperatura interna notavelmente consistente. Independentemente do calor de um verão português ou do frio do inverno, a temperatura no interior destas abóbadas mantém-se entre os 18 e os 20 graus Celsius. Esta estabilidade é a principal razão pela qual os livros sobreviveram tão bem durante mais de dois séculos e meio. Curiosamente, embora a construção do edifício tenha terminado em 1728, este permaneceu vazio durante mais de duas décadas. Os primeiros livros só chegaram e preencheram estas estantes em 1750. Este atraso permitiu que a estrutura assentasse completamente e que os níveis de humidade estabilizassem antes de a preciosa coleção ser introduzida. A engenharia foi tão bem-sucedida que continua a funcionar hoje sem a necessidade de sistemas elétricos modernos. Ao passar por estes corredores de pedra, está a experienciar uma solução do século XVIII para um problema perene: a preservação a longo prazo de materiais orgânicos num mundo em mudança.

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The First Room: Gold on Green

Detalhe do Arco Barroco — Biblioteca Joanina

Detalhe do Arco Barroco

Ao passar para as salas superiores, a atmosfera muda instantaneamente das abóbadas de pedra utilitárias para um mundo de opulento esplendor barroco. Observe os entalhes complexos que adornam cada arco e estante. Bem no alto, os tetos apresentam exemplos espetaculares de pintura 'trompe l'oeil'. Este termo francês, que significa 'enganar o olho', refere-se a uma técnica em que superfícies planas são pintadas para parecerem tridimensionais. Estas pinturas criam a ilusão de cúpulas abobadadas elevadas onde existem apenas painéis de madeira planos. Ao longo destes murais no teto, verá figuras alegóricas. Estas representam os quatro continentes conhecidos pelos europeus na altura da construção da biblioteca: Europa, Ásia, África e América. Cada continente é retratado com atributos e símbolos específicos destinados a mostrar o alcance global do conhecimento e o lugar da universidade num mundo conectado. Este programa artístico foi cuidadosamente concebido para elevar o estatuto da biblioteca de uma mera sala de livros a um monumental 'templo da sabedoria'. A combinação de entalhes reais e ilusões pintadas cria um espaço que parece muito maior do que as suas dimensões físicas.

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The Second Room: The Red Gallery

Perspetiva das Três Salas — Biblioteca Joanina

Perspetiva das Três Salas

De pé à entrada das galerias, a vista através das três salas interligadas é uma das vistas mais famosas da universidade. Este layout foi intencionalmente concebido para criar um efeito de perspetiva que faz com que o espaço pareça estender-se para sempre, simbolizando a natureza infinita do conhecimento. Cada uma das três salas — tradicionalmente decoradas em verde, vermelho e preto — servia um propósito organizacional específico. No século XVIII, estas cores ajudavam os bibliotecários e estudantes a categorizar a vasta coleção por assunto. Salas específicas eram dedicadas a diferentes ramos do saber, como Direito Civil, Direito Canónico ou Teologia. Este sistema de codificação por cores era uma forma sofisticada de gerir 70 000 volumes numa era anterior à catalogação digital moderna. O ritmo arquitetónico dos arcos repetidos reforça este sentido de ordem e hierarquia. Ao olhar ao longo deste eixo central, está a ver uma manifestação física do ideal barroco: um mundo onde tudo tem o seu lugar dentro de um sistema grandioso e visualmente deslumbrante. A viagem através destas salas pretendia ser uma progressão intelectual que conduzia aos símbolos mais importantes da biblioteca.

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A Galeria Vermelha — Biblioteca Joanina

A Galeria Vermelha

A sala do meio, conhecida como a Galeria Vermelha, é talvez a mais vibrante das três. A sua paleta de carmesim e ouro cria uma atmosfera quente e régia. Aqui, pode ver claramente o sistema de estantes de dois andares da biblioteca. As varandas superiores não são apenas decorativas; são totalmente funcionais, proporcionando acesso a milhares de livros armazenados bem acima do chão. Se observar atentamente os cantos das estantes, poderá detetar as pequenas portas discretas que escondem escadas estreitas e sinuosas. Estas permitiam aos bibliotecários moverem-se rápida e silenciosamente entre os níveis sem interromper a grandiosa estética da sala. Este design prático, combinado com uma beleza tão extraordinária, levou o jornal 'The Telegraph' a nomear esta como a biblioteca mais espetacular do mundo em 2013. A mestria visível na madeira dourada e nas varandas perfeitamente alinhadas representa o auge do design de interiores barroco português. Esta sala destinava-se a inspirar admiração em qualquer pessoa que entrasse, reforçando a ideia de que o estudo era uma ocupação nobre. A cor vermelha vibrante era um pigmento particularmente caro na época, enfatizando ainda mais o imenso orçamento real.

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The Third Room and the Bat Colony

As Mesas da Colónia de Morcegos — Biblioteca Joanina

As Mesas da Colónia de Morcegos

As grandes mesas de madeira que vê no centro das salas guardam um segredo fascinante relacionado com a preservação da biblioteca. Esta é uma das duas únicas bibliotecas em todo o mundo que alberga uma colónia permanente de morcegos residentes. Embora muitos edifícios tentem manter os morcegos afastados, aqui eles são hóspedes bem-vindos. Estes pequenos morcegos emergem à noite para se alimentarem de insetos que, de outra forma, comeriam o papel antigo e a cola das encadernações dos livros. Eles servem como uma forma de controlo de pragas altamente eficaz e não tóxica, que existe há séculos. Contudo, a sua presença exige uma rotina diária específica. Todas as noites, antes de a biblioteca fechar, os funcionários cobrem cuidadosamente estas grandes mesas com pesadas capas protetoras de couro. Isto é feito para evitar que a madeira e os livros sejam danificados pelos excrementos dos morcegos durante a noite. De manhã, as capas são removidas e as mesas são limpas, ficando prontas para os visitantes do dia. Esta parceria ecológica invulgar é um testemunho das formas criativas como os construtores do século XVIII resolviam os problemas de conservação a longo prazo. Os morcegos continuam a ser uma parte essencial, embora raramente vista, da equipa de manutenção da biblioteca.

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Os Volumes Antigos — Biblioteca Joanina

Os Volumes Antigos

As estantes à sua volta contêm aproximadamente 70.000 volumes, alguns dos quais remontam ao século XVI. Se observar atentamente as lombadas, poderá ver os diferentes materiais utilizados na encadernação. Muitos dos livros mais antigos estão encadernados em pergaminho, feito a partir de pele de animal processada. O pergaminho é incrivelmente durável e ajudou estes textos a sobreviverem durante centenas de anos. Outros estão encadernados em papel artesanal grosso ou couro. Esta coleção recebeu o estatuto de 'Património Bibliográfico', reconhecendo o seu imenso valor cultural e histórico. Embora pareça um museu, esta continua a ser uma biblioteca de investigação em funcionamento. Estes livros antigos estão disponíveis para consulta por estudiosos e investigadores, mas o processo é altamente restrito e rigorosamente monitorizado para evitar qualquer dano aos materiais frágeis. Os livros cobrem uma vasta gama de tópicos, desde tratados médicos antigos e direito até à teologia e filosofia, proporcionando um retrato abrangente do mundo intelectual do século XVIII e anteriores. Cada volume é um artefacto único, contendo as notas manuscritas e as marcas de muitas gerações de estudantes e professores.

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Chapel of São Miguel

Capela de São Miguel — Biblioteca Joanina

Capela de São Miguel

Para concluir a sua visita, dedique um momento a observar a adjacente Capela de São Miguel. Oferece um contraste fascinante com a biblioteca que acabou de visitar. Enquanto a biblioteca é um monumento ao esplendor barroco do século XVIII, partes desta capela remontam a uma época muito anterior e apresentam o distinto estilo 'manuelino' ou gótico português. Notará que as paredes estão cobertas por azulejos coloridos com padrões do século XVII, que proporcionam uma estética diferente dos dourados pesados e das madeiras escuras das salas da biblioteca. Juntos, esta capela e a Biblioteca Joanina representam os dois pilares históricos da Universidade de Coimbra: o espiritual e o intelectual. Em séculos passados, a vida de um estudante aqui era definida tanto pelo estudo rigoroso como pela devoção religiosa. A proximidade destes dois edifícios mostra quão profundamente interligadas estavam a fé e o saber na estrutura universitária tradicional. Ao sair desta área, a transição do trabalho ornamental dos azulejos da capela de volta ao ar livre do pátio marca o fim da sua viagem através dos espaços mais sagrados e académicos da universidade. Esta combinação de arquitetura continua a definir o caráter desta instituição histórica.

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